Os vinhos de Colares, e especialmente o Ramisco, são de exploração ancestral. Uma das principais curiosidades foi o facto terem sobrevivido à praga da filoxera que devastou as vinhas europeias no século XIX.
A proximidade das vinhas ao mar e às grandes cidades ditou a quase extinção desta casta devido ao alargamento da construção, da falta de mão-de-obra e fraca rentabilidade de cultivo. Actualmente, as vinhas da Ramisco correspondem a menos de 30 hectares, que dão lugar a vinhos de grande carácter e com grande capacidade de envelhecimento devido à elevada acidez natural que a casta possui.
As uvas têm uma maturação tardia, originando vinhos de baixo teor alcoólico e grande taninosidade. Enquanto jovens, os vinhos são elegantes, frescos e persistentes. O estágio prolongado confere-lhes suavidade e aroma. De cor rubi, com reflexos acastanhados, apresenta aromas a cogumelos, terra molhada, resina e madeira de cedro. Os carismáticos vinhos produzidos a partir da Ramisco fazem parte de diversa literatura portuguesa, em obras de Eça de Queiroz, Batalha Reis, ou Ferreira Lapa, entre outros.
A Ramisco apresenta cachos cilindro-cónicos nem muito grandes, nem muito compactos, com bagos pequenos, de coloração negro-azul, sendo muito comum a protecção destas videiras por currais ou paredes de cana. Devido à sua plantação em pé-franco, é uma videira susceptível aos ataques de pequenos animais mas bastante resistente ao desavinho e à bagoinha.
Experimentalmente enxertada em porta-enxerto americano, em campos de ensaio, entre outros locais, no Alentejo. Casta tradicionalmente elementar. Tem uma capacidade latente de lote com castas de baixa acidez natural, por exemplo, Aragonez.
Fonte: http://www.mariajoaodealmeida.com/
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