quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Adegas com estilo

                     Adega Mayor

Mais do que um local onde simplesmente se transformam as uvas em vinho, as adegas são hoje muito mais que isso. Embora a produção de vinho continue sempre a ser o principal objectivo, a construção de uma adega tem actualmente em conta uma filosofia de design, tecnologia avançada, assim como o enquadramento espacial onde se insere. 

Enquanto lá fora este tipo de adegas se multiplica, em Portugal vão surgindo lentamente pelo país. Mas impressionam. Entre as que mais se destacam está a Adega Mayor, desenhada pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira e pertença do grupo Nabeiro, em Campo Mayor (Alentejo). Situada na Herdade das Argamassas, começou a funcionar na vindima de 2006, sendo uma obra «de concepção arrojada e diferente do habitual» conforme defendeu na altura o presidente do grupo Rui Nabeiro, que na altura investiu 8 milhões de euros na construção do edifício.

Na planície alentejana, Siza ergueu um volume horizontal, caiado a branco e dividido em duas áreas distintas: zona de produção, dotada da melhor tecnologia de ponta, e zona de administração, que inclui os espaços dedicados à promoção dos vinhos. No último piso existe ainda um terraço panorâmico com relvado e um espelho de água central, onde se destaca um painel desenhado por Siza que sobrepõe as silhuetas de uma chávena de café, um copo e uma garrafa. Para o arquitecto, a «leve floração num vastíssimo território cultivado e de suave ondulação» foi uma das suas fontes de inspiração. 


                      Quinta do Encontro


Outra adega de referência situa-se na Anadia (Bairrada). Pertencente ao grupo Dão Sul, este moderno e insólito edifício de formato cilíndrico é um projecto assinado pelo arquitecto Pedro Mateus. Em 2005, com a necessidade de aumentar a produção, melhorar a capacidade de vinificação e desenvolver o Enoturismo, a empresa decidiu apostar na construção de uma nova adega. .

Neste moderno edifício, conta a beleza mas também a sua funcionalidade. A área de produção está apetrechada com as mais modernas tecnologias e tudo é controlado por computador. Mesmo longe da adega consegue-se através de um computador verificar tudo o que lá se passa. Sendo um edifício inteligente, acende e apaga as luzes automaticamente na presença de pessoas, assim como controla a temperatura ambiente através de sensores, de forma a poupar energia. O acesso entre pisos é feito através de um corredor circundante, que lembra o espiral de um saca-rolha. Nesta adega existe ainda um restaurante, um wine bar, uma loja de vinho e espaços multiusos para recepções. 


                      Quinta de Nápoles 


                      Quinta da Touriga Chã

 Algumas outras adegas, como a Quinta de Nápoles, do produtor Dirk Niepoort (uma bela adega em xisto, entre a Régua e o Pinhão, cuja estrutura tem a particularidade de acompanhar os socalcos da vinha) ou a Adega da Touriga Chã, de Jorge Rosas,  (desenhada pelo arquitecto António Barbosa e situada em Vila Nova de Foz Côa) são outros bons exemplos de quando falamos de adegas design de referência em Portugal.



                      Herdade do Rocim


 A Herdade do Rocim, entre Vidigueira e Cuba, segue a mesma linha de aliar a produção de vinhos de qualidade a uma arquitectura moderna de linhas sóbria e a uma imagem de marca baseada no pormenor e na criatividade. Carlos Vitorino foi o arquitecto responsável pelo projecto desta adega, que além da produção de vinho propriamente dita, também aposta em provas de vinhos, almoços e jantares, e ainda numa biblioteca onde se podem adquirir livros de vinho de diversos produtores e objectos de merchandising da herdade.

Serão estas as adegas do Futuro? Umas mais criativas, outras mais funcionais ou mais luxuosas do que outras, a tendência parece passar por aqui. É esperar para ver…


Nenhum comentário:

Postar um comentário