sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Elegantes e sutis, os vinhos da uva clássica francesa Merlot estão presentes nas principais regiões produtoras do mundo


Embora a região de Bordeaux seja famosa pela uva Cabernet Sauvignon, a Merlot é a mais produzida por lá e entra em quase todos os famosos blends, mas somente o Pétrus leva mais de 95% da dela em sua composição.

Seu nome (na verdade ela se chama Merlot Noir) é derivado do nome de um pássaro, bastante similar ao nosso pássaro preto, chamado na Europa de Melro. A uva teria ganhado esse nome não só por sua tonalidade escura, de um preto azulado como o do pássaro, mas também por atrair uma grande quantidade dessas aves quando a colheita se aproxima.



PRECOCE E SUCULENTA

Os ampelógrafos (cientistas que estudam as videiras e as uvas) afirmam que uma variedade próxima da Merlot teria vindo do Oriente Médio há muitos séculos e tomado as terras da França, onde, através dos anos, se transformou no que é hoje. Mas seu primeiro registro oficial é recente para os parâmetros do mundo do vinho, de 1784, já na região de Bordeaux. Na Itália, ela só foi aparecer oficialmente em 1855, no Vêneto, onde até hoje é muito plantada.

A Merlot é uma uva de cultivo controverso na modernidade, pois os enólogos se dividem entre os que acreditam que ela deve ser colhida muito madura para concentrar mais açúcares e os que acham que ela deve ser colhida mais precocemente, para reter taninos e acidez. Seus grãos são pequenos e suculentos, com taninos tradicionalmente leves e bom teor de açúcar.

No Brasil, onde ela é conhecida como a mais bem sucedida uva tinta da Serra Gaúcha (muitos produtores acreditam que ela deveria ser a uva símbolo brasileira), sua precocidade é uma vantagem, pois ela consegue se desenvolver antes das fortes chuvas de verão, sendo colhida muitas vezes logo depois das uvas brancas. Isso lhe garante frescor e vivacidade, além de aromas mais frutados, muito atraentes nos tintos modernos.



BOAS MISTURAS

A uva Merlot é muito utilizada em várias partes do mundo, como a Itália, a França, os Estados Unidos e até mesmo no leste europeu, para vinhos de corte. Ela é combinada com a Cabernet Sauvignon e com a Cabernet Franc (no corte tradicional de Bordeaux), com a Sangiovese em muitos vinhos do centro-norte da Itália e até mesmo em Portugal, para dar certa suavidade a algumas combinações de uvas típicas portuguesas. Nessas misturas, seu frutado, suavidade e baixos taninos são os pontos mais apreciados.



DEGUSTANDO A FRUTA

"Nos vinhos varietais de Merlot, para mim, a principal e mais sedutora característica é o aveludado no paladar", afirma Márcio Marson, um dos herdeiros da vinícola Marson de Cotiporã (RS) e supervisor da Vinícola Miolo. O que ele quer dizer é que a uva é capaz de produzir vinhos macios, delicados, ainda que tenham bom corpo ou "potência em boca", sem, no entanto, agredirem com acidez marcada e taninos ardidos.

Os aromas que são mais facilmente associados aos bons vinhos de Merlot são as ameixas negras, o cassis, as cerejas e, por vezes, o mentolado. E quando o vinho passa por um estágio em madeira, aparecem aromas de grãos de café, chocolate e um pouco de especiarias.

O aveludado na boca combinado com o frutado típico, os taninos leves e o álcool muitas vezes mais baixo são o que há de mais tradicional e apreciável nos bons Merlots, que merecem ser bebidos um pouco mais jovens que os vinhos de outras castas clássicas francesas, como a Cabernet Sauvignon ou a Syrah, garantido sua vivacidade e frescor.


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