terça-feira, 14 de maio de 2013

Por quê os preços dos vinhos variam tanto?


DEMANDA: O primeiro grande fator é a famosa Lei da Oferta e da Procura. Grandes vinhos geralmente são feitos em pequenas quantidades. Mas na fila de consumidores em potencial há muita gente. Então, como a demanda é maior do que a oferta, os preços acabam subindo como uma forma de deslocar as curvas e atingir o chamado "equilíbrio de mercado". Algumas vezes, além dos grandes vinhos, outros fatorestambém acabam inflacionando seu preço, mas por conta de alguma escassez ligada a fatos históricos ou naturais. Uma praga, por exemplo, pode destruir plantações e fazer cair o número de uvas colhidas, o que consequentemente diminuirá o número de vinhos produzidos e aumentará os preços. Em suma, essa Lei diz que o preço e a quantidade demandada estão inversamente relacionados.

TRADIÇÃO: A tradição é um ponto muito importante na hora de fixar o preço dos vinhos. A reputação da bebida ainda pesa muito na hora da compra. Garrafas de lugares e produtores famosos, como Bordeaux, Borgonha ou Champagne saem na frente das demais. Geralmente a qualidade está no mesmo patamar da fama do vinho, mas isso não é regra.

ECONOMIA: Fatores econômicos claramente modificam o preço do vinho. Além das crises mundiais, como a que sofremos há dois anos, as taxas de câmbio também podem fazer um vinho barato sair caro, e vice versa. Um bom caso para servir de exemplo foi o péssimo desempenho dos vinhos franceses no Reino Unido em 2009. O motivo? O valor da libra ter caído de cerca de 1,5 para quase 1 euro.

TERROIR: Não há dúvidas de que o lugar onde as uvas são plantadas tem influência no vinho. Uma mesma variedade cultivada em locais diferentes produzirá vinhos diferentes. Esse é um dos motivos pelo qual um vinho produzido num grande vinhedo - onde ocasamento entre as uvas e o meio ambiente é perfeito - é muito mais caro que os demais.

CRÍTICAS: Os vinhos também são muito suscetíveis ao peso das críticas. Atualmente, o maior exemplo é o norte-americano do Robert Parker. Um comentário positivo do crítico pode lançar um preço às alturas, enquanto uma crítica negativa é capaz de estagnar a venda de alguns vinhos.

TRIBUTAÇÃO: Todos os produtos destinados à exportação estão propensos a mais um aditivo em seu preço: as tarifas de importação. Em alguns casos, como em Hong Kong, essa tarifa não existe, mas em outros, como na Tailândia, adota-se um sistema de taxação que passa dos 300%. No Brasil, o valor do imposto de importação é de cerca de 20%. Para alguns países do Mercosul, como Argentina e Chile, acordos alfandegários garantem isenção (ou seja imposto zero) na entrada de produtos com certificado de origem.

TRANSPORTE E MATÉRIA-PRIMA: As despesas no transporte e na obtenção de matéria-prima para a produção de vinho também influenciam o preço. Em comparação ao valor do produto, o custo do transporte costuma ser pequeno, mas em vinhos muito baratos (e viajando grandes distâncias), o acréscimo pode ser bem relevante.
Já nas matérias-primas estão incluídos os rótulos, fechos e vidros usados nas garrafas, que variam de preço conforme os tipos escolhidos.

ATIVOS: Por fim, sendo o vinho uma bebida produzida nos quatro cantos do mundo, a variação de ativos costuma ser enorme. Enquanto um hectare de terra em algumas regiões da Espanha sai por cerca de 10 mil euros, em outros lugares, como no Napa Valley, pode chegar a US$ 650 mil. Todas essas despesas também são levadas em conta na hora de fixar o valor final do vinho.


Nenhum comentário:

Postar um comentário