sábado, 18 de maio de 2013

A elegância do Dão


Os vinhos do Alentejo podem ser os preferidos dos portugueses, os do Douro, os mais conhecidos além fronteiras, mas quem realmente aprecia vinhos não pode deixar de provar os de outras paragens, nomeadamente do Dão, região produtora de alguns dos melhores vinhos portugueses.  Após décadas de esquecimento e abandono, o Dão ressurgiu nos últimos anos durante a revolução vitivinícola portuguesa, destacando-se através da produção de vinhos de grande qualidade e elegância. Dão é terra de vinhos, de história e de contrastes. De vinhos oriundos de vinhas implantadas em terrenos graníticos e acidentados, circundados por um conjunto de grandes serras que o protegem das influências exteriores e que constituem uma importante barreira às massas úmidas do litoral e aos agrestes ventos continentais.


Será neste contexto, neste terroir único que nascem tintos encorpados, de aroma e sabor delicados, com grande capacidade de envelhecimento. E se os tintos mostram todo este potencial e elegância, os brancos não ficam atrás. São cativantes, frescos, de aromas suaves e sabor frutado. Nos brancos, a casta Encruzado é rainha na região e a que mais se destaca. Aliás, é mesmo uma das grandes castas nacionais, capaz de produzir dos melhores vinhos de Portugal, sendo detentora de excelente capacidade de envelhecimento, que pode atingir várias décadas (coisa rara de acontecer em brancos portugueses). Sabe-se que a Encruzado surgiu no Dão, região por onde mais se expandiu, sendo no final do século XX e início do século XXI que ganhou maior fulgor. No seu potencial máximo, os vinhos apresentam um aroma elegante e complexo, de onde sobressaem notas minerais e citrinas. Com o envelhecimento o aroma desenvolve-se sugerindo frutos secos e resina de pinheiro.

Já nos tintos, destaca-se um maior número de castas: a Jaen, Touriga Nacional e o Alfrocheiro. No caso da primeira, supõe-se que terá sido trazida para o Dão por peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela.  No Dão teve a sua maior expansão, sendo uma casta de grande produtividade, resistência e excepcional qualidade aromática.  Já a Touriga Nacional é a mais reconhecida em Portugal e também a mais admirada além fronteiras, começando a ocupar cada vez mais espaço nas produções do Velho e do Novo Mundo. Embora esteja encepada nos vinhedos portugueses, que se estendem desde o Minho até ao Algarve, é nos vales do Douro e no Dão que atinge o seu máximo potencial.

Desta casta obtém-se um vinho de grande qualidade, de cor retinta, com teor alcoólico e acidez elevados. Os seus aromas lembram flores e frutos silvestres. Na boca, resulta encorpado, quente, persistente, taninoso e - especialmente quando jovem - muito frutado. O estágio em barricas de madeira nova de carvalho é especialmente indicado, tornando os vinhos mais macios e equilibrados. O seu potencial de envelhecimento confere, com o passar do tempo, uma inconfundível elegância, presente nos seus aromas e sabores aveludados. Por último, a Alfrocheiro, casta que resulta em vinhos aromáticos, elegantes e com boa graduação alcoólica. Em conjunto com as restantes, contribui para a produção de alguns dos mais elegantes vinhos de Portugal.


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