Jairo Monson de Souza Filho
jairo@monson.med.br
O vinho é um alimento que
foi concebido pelos deuses para enaltecer a saúde, a beleza e o espírito da
mulher. Nenhum alimento é mais apropriado a virtuose feminina que o vinho.
Bacco, com seu divino
saber, criou o vinho, esse néctar que além de alegrar o espírito, enaltecer a
alma e alimentar o corpo traz benefícios para a saúde. Todas as virtudes
terapêuticas do vinho para os homens beneficiam também as mulheres. Mas nada
mais justo que para as mulheres – o mais extraordinário organismo da natureza!
– Bacco reservasse favores exclusivos. É deles que vou me ocupar aqui.
As ações benévolas do vinho
para a saúde só ocorrem se ele for bebido com moderação, regularmente, junto
com as refeições e por quem não tenha contra-indicação ao uso de bebidas
alcoólicas.
Os efeitos benéficos do
vinho se devem um pouco ao baixo teor de álcool e muito aos Polifenóis e sua
convivência harmônica com outros compostos. 60% dos Polifenóis vêm da semente
da uva, 33% da casca, o resto da polpa, pedicelo e madeira. É por isso que,
como regra, os vinhos tintos têm mais virtudes para a saúde que os vinhos
brancos.
O adenocarcinoma de mama é
o câncer que mais mata as mulheres. Ele tem uma relação direta com a ingestão
de bebidas alcoólicas, isto é, quanto mais álcool uma mulher ingere maior a
probabilidade de ela ter esta doença. Isto está bem documentado em uma
metanálise de 53 estudos epidemiológicos, incluindo 584.515 mulheres com câncer
de mama. Este trabalho foi feito com a colaboração de vários pesquisadores e
publicada no British Journal of Cancer, em 2002. Inúmeros estudos (mais de 10
nos últimos anos) mostram que quando a bebida ingerida é o vinho, há uma
proteção ao desenvolvimento deste tipo de câncer. Várias outras pesquisas
mostram os mecanismos pelo qual se dá esta proteção: a ação protetora do
Resveratrol sobre os receptores estrogênicos da mama; a inibição da alteração
do DNA que gera as células cancerosas, bloqueio do crescimento e disseminação
destas células e também porque alguns Polifenóis (como a Quercitina) aumentam a
apoptose – morte programada – da célula cancerosa.
As mulheres que bebem vinho
regularmente, moderadamente e junto às refeições têm 50% menos chance de
desenvolver câncer de ovário. Isso foi o que constatou a Drª Penny Webbi da
Austrália, estudando 696 mulheres com este tipo de neoplasia e mais 786 outras
mulheres, sem a doença, num grupo controle. As mulheres que bebiam regularmente
destilados e cerveja tinham tanto câncer de ovários quanto as abstêmias e as
que bebiam vinho tinto tinham uma proteção um pouco maior do que as que tomavam
vinho branco.
As mulheres que têm o
hábito regular de beber vinho moderadamente com as refeições têm atenuadas as
manifestações de climatério e menopausa, foi o que constatou o Dr. Calabrese da
Itália. O climatério e a menopausa ocorrem quando o ovário entra em falência e
diminui muito a produção de estrógeno – o hormônio feminino. O Resveratrol – um
dos 200 Polifenóis do vinho – tem uma similaridade estrutural e funcional muito
grande com o estrogênio. Por essa semelhança ele é reconhecido como um
fito-estrógeno e age atenuando as manifestações do climatério e menopausa que
afligem tantas mulheres no final da vida reprodutiva.
As mulheres que têm o
hábito regular de tomar bebidas alcoólicas custam mais para engravidar. O Dr.
Tolstrup e outros pesquisadores demonstraram uma relação direta entre o consumo
de bebidas alcoólicas e infertilidade feminina. Mas a equipe do Dr Juhl,
estudando 29.844 grávidas na Dinamarca, constatou esta relação apenas para as
mulheres que consumiam cerveja e destilados e uma relação inversa para as
mulheres que tomavam vinho. Outros estudos mostraram a mesma coisa: mulheres
com hábito regular de beber vinho moderadamente com as refeições engravidam
mais fácil que as abstêmias e bem mais rápido que as que tomam outros tipos de
bebidas alcoólicas.
A osteoporose é uma
condição clínica na qual o osso descalcifica e perde massa – fica poroso. Ela
faz parte do processo natural do envelhecimento.
Conforme avançamos em idade
o nosso esqueleto vai descalcificando e os nossos ossos ficando mais frágeis. A
osteoporose ocorre, sobretudo, nas mulheres quando entram na menopausa. A
menopausa e a perda de massa óssea ocorrem pela deficiência de estrogênio.
Existe um estudo muito bonito feito na França, com 7.598 mulheres com mais de
75 anos de idade que mostrou que as que tinham o hábito regular de tomar até
três taças de vinho por dia, junto com as refeições, ganhavam massa óssea,
contrariando a História Natural do envelhecimento. Isso acontece porque alguns
Polifenóis que existem em abundância no vinho estimulam os osteoblastos –
células que formam osso – e inibem o osteoclastos – células que destroem o
osso. E também porque o Resveratrol tem uma semelhança estrutural e funcional
com o estrogênio – o hormônio feminino que, entre outras coisas, preserva a
arquitetura óssea.
Outra dádiva do vinho para
as mulheres é sobre a pele – o órgão que mais expõe as crueldades do
envelhecimento. Os Polifenóis do vinho melhoram muito a consistência e a
elasticidade da pele, isso porque eles inibem a colagenase e a elastase, duas
enzimas que destroem o colágeno e a elastina, responsáveis pela consistência e
elasticidade deste órgão do revestimento. Além disso, eles melhoram muito a
hidratação e a microcirculação da pele, dando-lhe mais vida. Estes efeitos dos
Polifenóis ocorrem tanto se eles forem aplicados direto sobre a pele quanto se
ingeridos. E quando aplicados direto na pele e ingeridos, as ações se
potencializam. Esse efeito sobre a pele é tão impressionante que hoje existem
inúmeros tratamentos de beleza e cosméticos feitos a base de óleo de semente de
uva e vinho.
O governo americano tem uma
vigilância muito rígida sobre a saúde do seu povo através dos CDC (Centers for
Disease Control). A Drª Ann Malarcher, uma pesquisadora deste órgão, veio a
público em 2001 para chamar a atenção para o fato de mulheres jovens (entre 15
e 44 anos de idade) que tomam até duas doses de bebidas alcoólicas por dia têm
60% menos Derrame Cerebral do que as abstêmias. E quando esta bebida alcoólica
é o vinho a probabilidade de desenvolver essa doença é menor ainda. Esses dados
epidemiológicos são tão relevantes que hoje a própria Associação Americana do
Derrame Cerebral (NSA – National Stroke Association) reconhece que as mulheres
que tomam vinho regularmente e moderadamente com as refeições têm menor índice
de Derrame Cerebral; e que as mulheres que já tiveram esse mal e passam beber
vinho regularmente e moderadamente têm menos chance de ter um novo episódio da
doença.
A ingestão regular e
moderada de vinho diminui a circunferência abdominal tanto em homens como em
mulheres – esta foi a conclusão da pesquisa desenvolvida ao longo de 10 anos
pelo Dr. Vadstrup e colegas. Estes dados surpreendentes foram extraídos do
“Estudo do Coração da Cidade de Copenhagen”. A população desta cidade está
sendo observada há vários anos neste grande projeto de pesquisa. A medida da
circunferência abdominal, como a medida da Pressão Arterial e do Colesterol
sanguíneo, são um determinante de risco para ataques cardíacos e por isso
objeto da observação. Quando os pesquisadores foram analisar o perímetro do
abdômen no grupo de pacientes que tinha o hábito regular de tomar diferentes
tipos de bebidas alcoólicas encontraram este instigante dado: os que bebiam
vinho diminuíam a circunferência abdominal, ao contrário dos que tomavam cerveja
e destilados. Outros estudos, como feito pelo Dr. Yoshikawa mostraram que
alguns dos polifenóis, que existem em quantidade apreciável no vinho, destroem
gorduras por inibição de enzimas metabolizadoras de gordura como a lipase
pancreática, a lipase lipoprotéica e a glicerofosfatodesidrogenase.
É por isso tudo que eu
penso que o vinho é um alimento que foi concebido pelos deuses para enaltecer a
saúde, a beleza e o espírito da mulher.

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