domingo, 23 de outubro de 2011

Rosé nasceu na Provence






O mais antigo vinhedo da França

Há 26 séculos, os gregos fundaram Marselha e plantaram nas encostas as primeiras videiras. Trouxeram à Provence a cultura da videira e do vinho. Desde então, a cultura da vinha e do vinho espalhou-se rapidamente pela Provence, mas foi apenas após a conquista romana (século I a.C.) que ela montou o Vale do Ródano (Rhône), ganhando a totalidade do território que mais tarde seria a França. Os vinhos produzidos naquela época eram de cor clara muito parecida aos rosés, já que a maceração das polpas e das cascas ainda era desconhecida. Portanto, a Provence é o mais antigo vinhedo francês e o rosé, o mais antigo vinho do mundo.

Riqueza e diversidade do vinhedo de Provence

Entre o Mediterrâneo e os Alpes, o vinhedo da Provence corre de Oeste a Leste, por cerca de 200 km e três departamentos: os Bouches-du-Rhône, o Var e uma parte dos Alpes-Maritimes. As denominações Côtes de Provence, Coteaux d’Aix en Provence e Coteaux Varois en Provence, produzem vinhos de uma grande diversidade aromática, com realces muito diferentes, mas todos contendo o caráter ensolarado do clima mediterrâneo.

Historicamente especializada em rosés límpidos, frutados e generosos, o vinhedo provençal também produz tintos marcantes, potentes e encorpados, que podem envelhecer por vários anos em adega, além de brancos leves, tenros e delicados. A geologia e as paisagens são particularmente variadas: um clima excepcional, quente, seco, com muitas horas de sol durante o ano e o Mistral (vento frio e seco), grande amigo das videiras por afastar as doenças, fazem da Provence um vinhedo natural e privilegiado.

Histórico geológico

O histórico geológico da Provence, que é particularmente complexo quando visto em seus detalhes, pode ser resumido em quatro períodos principais. Ao longo da Era Primária constituiu-se um vasto maciço montanhoso feito de rochas cristalinas. Essas formações foram o alicerce de uma atividade vulcânica bastante intensa na parte leste, ao nível do atual Maciço do Estérel. No período Secundário essas montanhas foram erodidas e em seguida foram recobertas pelas águas. Uma espessa camada de sedimentos calcários ou argilo-calcários recobriram então a região. A turbulenta história da paisagem provençal está relacionada, em seguida, a do nascimento dos Alpes, que ocorre no período Terciário. A elevação deste importante maciço ao norte da Provence provocou o deslizamento e o dobramento da cobertura sedimentar, enquanto, em um menor grau, a antiga base se elevava ao leste. Esse conjunto muito diversificado de rochas (cristalina, calcária, vulcânica...) é em seguida modelado no Quaternário por uma intensa erosão, originando uma das paisagens francesas mais variadas, mas onde encontramos os principais elementos geológicos de uma forma geral. Ao sudeste da Provence aflora a base cristalina com os maciços dos Maures (Mouros), do Tanneron e do Estérel, que apresentam inúmeros traços de atividade vulcânica, enquanto ao sudoeste e ao norte estende-se a zona majoritariamente calcária, constituída de uma alternância de colinas e de barreiras rochosas.

Fonte: livro “Os Vinhos da Provence” de François Millo

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