domingo, 2 de outubro de 2011

Mitos que Merecem ser Revistos



MITO 1: O vinho melhora com o tempo
Na verdade, mais de 90 % dos vinhos produzidos no mundo são feitos para serem consumidos em até um ano após saírem das vinícolas e, depois disso, ou não evoluirão ou ficarão piores.

MITO 2: As regiões para produzir bons vinhos estão entre os paralelos 30 e 50º (norte e sul)
Hoje, o conhecimento científico e a prática das plantações em altitude mostra que plantar vinhedos 100 metros mais alto equivale a plantá-los em uma latitude 1º maior.

MITO 3: Vinhos de vinhedos em latada são inferiores
A superioridade da condução em espaldeira é incontestável como método geral, mas, em locais onde o sol é extremo e onde "não chove", os defeitos da latada se tornam suas virtudes. A falta de sol nos frutos e no solo - que normalmente gera muita umidade e proliferação de fungos - serve como proteção para que o fruto não seja queimado e danificado pelo sol. Alguns belos vinhos vindos de verdadeiros desertos têm sua qualidade auxiliada pela plantação de seus vinhedos em latada.

MITO 4: Vinhos brancos devem ser bebidos jovens
Sim, a grande maioria dos vinhos brancos é elaborada para ser bebida jovem, com até dois anos de vida. Essa é a regra geral. Mas a verdade é que alguns vinhos brancos são verdadeiros maratonistas, aguentam um longo percurso e, mais do que isso, ficam melhores a cada ano que passa. Grandes Borgonhas brancos (como os da família Valette, por exemplo), grandes Rieslings (cujos aromas de evolução são tão discutidos nesta edição), os espetaculares Tondonia e outros tão especiais são prova disso. Podemos ir além e matar dois mitos em uma garrafada só, ao dizer que é possível (e recomendado, às vezes) decantar um branco, como, por exemplo, um jovem Coulée de Serrant 2005, que pode esperar cerca de três horas para ser degustado em seu esplendor. Assim, vinhos brancos têm que ser bebidos jovens e não devem ser decantados? Mito.

MITO 5: Beber faz mal a saúde
Dezenas de estudos realizados nos últimos 20 anos demonstraram cientificamente os benefícios à saúde que o consumo do vinho proporciona. O vinho é um verdadeiro elixir, que faz bem da pele ao coração, passando pelo cérebro, pela diminuição do risco de diversos tipos de câncer e muito mais.

MITO 6: O vinho faz bem à saúde
Os mesmos estudos que comprovaram o benefício do consumo do vinho para nosso organismo quando bebido frequente e moderadamente (máximo de duas taças ao dia parece ser a indicação ideal), desaconselham fortemente seu consumo acima de quatro taças diárias; uma vez que essa quantidade aumenta o risco de várias das mesmas doenças que ajuda a prevenir quando bebido com moderação.

MITO 7: Vinhos orgânicos e naturais são melhores
Não há duvida de que um vinho cuja produção foi feita sem produtos químicos é melhor para a nossa saúde, mas não é verdade que os vinhos orgânicos e naturais sejam melhores em qualidade que seus irmãos não orgânicos.

MITO 8: Vinhos orgânicos são mais caros porque custam mais para serem produzidos
Esta é uma verdade apenas nos primeiros anos de um vinhedo orgânico, mas, uma vez que a vinha encontra seu equilíbrio e proteção natural, passa-se a economizar pelo não uso de produtos químicos e menor intervenção humana na planta.

MITO 9: Os vinhos mais caros recebem mais cuidados e assim têm maior custo de produção
Os custos de produção sobem até um patamar, depois disso, pagamos mais pelo que representa um determinado vinho do que por sua composição de custos. Valor histórico, reconhecimento, escassez e outros elementos passam a influir mais no preço do vinho que seu custo de produção.

MITO 10: Vinho bom é o vinho de que você gosta
Este é o mito dos mitos, o grande sofisma adorado pelos iniciantes do mundo do vinho (e por muitos que não são iniciantes). "Bom, se isso é falso, por que meus amigos que entendem muito de vinho falam isso para mim?", alguns podem estar se perguntando. Mas, se eles dizem isso, é exatamente porque são seus amigos, ou então porque não têm tanta intimidade com você... A verdade, entretanto, é que se fala isso para que uma pessoa não abandone o vinho por se sentir contestado, e tenha a oportunidade de degustar mais, aprender mais e começar a divulgar esse sofisma para outras pessoas que estão começando no mundo do vinho. Sim, você tem o direito de gostar do que quiser, e mais do que isso, de tomar o que gosta. Mas esse fato não faz com que o vinho que você gosta seja tecnicamente melhor do que o que você não gosta. Nosso conselho: não se feche em dogmas e esteja aberto a assumir que sempre temos a evoluir em capacidade de degustar e conhecer coisas novas.

Fonte: Revista Adega

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