domingo, 24 de julho de 2011

Terroir: Alsace II

A comparação dos brancos alsacianos é quase inevitável com seus vizinhos germânicos. Normalmente, o lado francês gera vinhos mais encorpados, mais opulentos e mais potentes em relação ao lado alemão. Como tudo é relativo, a Alsácia é uma região quente para padrões alemães. Por isso,  essas características são refletidas em seus vinhos. Entretanto, as versões Trocken dos atuais vinhos alemães aproximam-se muito do padrão alsaciano, a  ponto de confundirmos estes  exemplares numa degustação às cegas.
Tratando-se de vinhos varietais expressos nos rótulos, vamos detalhar a seguir, as principais uvas:

Riesling
Longe de menosprezar o alto padrão do Riesling alemão, a Alsácia talvez seja a única região fora da Alemanha a elaborar vinhos com esta caprichosa cepa, capazes de confrontar a excelência alemã. Seus aromas são típicos, mostrando com elegância sua trilogia aromática com aspectos florais, minerais e cítricos. A perfeição da mineralidade fica por conta da domaine Trimbach (os espetaculares Cuvée Frederic Emile e Clos Sainte Hune), com vinhos capazes de envelhecer por décadas. Já o lado mais opulento e exuberante está a cargo do produtor Zind-Humbrecht, com vinhos aromaticamente elegantes, macios e expansivos.

Na gastronomia, a Riesling acompanha muito bem pratos defumados, receitas com carne de porco e o clássico alsaciano Choucroute Garnie.

Pinot Gris e Gewurztraminer, respectivamente
É importante salientar que as uvas acima são rosadas, gerando vinhos de cores mais acentuadas,  tendendo ao dourado, principalmente com o envelhecimento em garrafa. Trata-se sempre de uma vinificação em branco, sem a presença das cascas.

Pinot Gris
Na Itália, Pinot Grigio. Na Áustria ou Alemanha, Ruländer ou Grauer Burgunder. Seja como for, nos vários países onde é cultivada, com vários outros sinônimos, em nenhum outro lugar além da Alsácia, esta uva gera vinhos de tamanha complexidade e sofisticação. Em terroir alsaciano, seus vinhos lembram o lado floral mais discreto da Gewruztraminer com nuances de talco. Gustativamente, apresentam a textura e maciez de um chardonnay de bom corpo. Nas versões adocicadas, costuma ser o parceiro ideal para o autêntico foie gras alsaciano.

Gewurztraminer
Apesar de seus aromas florais intensos, além de lichias e especiarias, não há paralelos mesmo do lado alemão, para o estonteante “Gewurz” da Alsácia. Sua acidez costuma ser deficiente, mas quando não há este inconveniente, são vinhos exóticos e apaixonantes. Parceiro número um para o poderoso queijo local Munster. Culinária indiana com pratos mais aromáticos que picantes é outra pedida certa.

Muscat
As variedades Muscat à petits grains e Muscat Ottonel geram os convidativos moscatéis da Alsace. São vinhos leves, delicados e aromáticos, muito apropriados para aperitivos e pratos vegetarianos, inclusive com aspargos.
Em resumo, se você quer um ótimo moscatel seco, se você quer o melhor riesling além da Alemanha, se você quer os melhores Pinot Gris e Gewurztramminer do mundo, escolha a Alsácia. Terra dividida tantas vezes ao longo da história entre França e Alemanha, soube com maestria tirar proveito deste conflito, praticando de forma singular, um dos mais belos exemplos em vitivinicultura. 

Fonte: Vinho sem Segredo

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